Primeira mulher a se formar em percussão erudita no Estado fala sobre carreira

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Primeira mulher a se formar em percussão erudita no Estado fala sobre carreira
Na foto, ela está em um recital no Teatro Caixa Preta, em 2013, na na comemoração dos 50 anos do curso de música da universidade

Nascida em Santa Maria, a musicista Clarissa Severo de Borba, 45 anos, foi a primeira mulher do Rio Grande do Sul a graduar-se em percussão erudita, pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ela, que é doutora em percussão pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos, já atuou em orquestras de diferentes países como Estados Unidos, França, Espanha, Portugal e China. Hoje, mora em Le Mans, na França, é diretora do Conservatório de Paris Sud e dá aulas de percussão.

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Diário de Santa Maria – Quando começou o seu interesse pela música?Clarissa Severo de Borba – Meu interesse foi natural, com 4 ou 5 anos. Minha mãe, Alzira, é pianista e sempre escutamos muita música. Eu comecei com a flauta e o piano, e sempre gostei de descobrir novos estilos. Por volta dos 11 anos, vi um concerto do grupo de percussão da UFSM dirigido por Ney Rosauro, e me marcou muito todas as possibilidades infinitas de poder produzir som. A partir desse momento, comecei a aprender a percussão, essa família de instrumentos sem limite.

Na faculdade, Clarissa (na foto, a segunda da direita para a esquerda), era a única menina da turma

Diário – Quais são suas lembranças da faculdade?Clarissa – Me formei em Bacharelado Percussão na UFSM com o professor Ney Rosauro em 1996. Éramos um grupo super unido, estudávamos muito, tocávamos muito, compartilhamos ótimos momentos musicais e pessoais. Na época eu era a única menina do grupo. Minhas lembranças são de muita disciplina e estudo, pois eu já tinha como meta poder estudar fora do Brasil, o que aconteceu depois da formatura. Comecei o mestrado na Universidade de Carolina do Leste ,em 1997, e em 1999 o doutorado na Universidade de Miami.

Diário – Você foi a primeira mulher graduar-se em percussão erudita no Estado. O que isso representa?Clarissa – Obviamente um orgulho, contribui um pouquinho para mudar essa visão da época, de pensar que alguns instrumentos são mais para homens e outros mais para mulheres. O melhor instrumento é aquele que temos realmente vontade de aprender. Depois outras meninas entraram no curso de percussão. Ainda somos minoritárias, mas essa condição está mudando.

Diário – Como Santa Maria foi importante para você, tanto na trajetória pessoal como na profissional?Clarissa – Santa Maria é a minha cidade. Foi onde nasci, tive uma ótima infância com minha família, e a música veio pouco a pouco. É a cidade onde eu comecei a estudar música. Foi uma sorte ter na cidade uma universidade federal com um curso muito bom, professores maravilhosos, com quem eu tenho contato até hoje. Em Santa Maria comecei minha carreira musical, tive a grande oportunidade de ser aluna de Ney Rosauro, percussionista conhecido no mundo inteiro. Ele me preparou para os concursos que fiz para sair do Brasil. E também foi em Santa Maria que fiz meus melhores amigos, com quem eu tenho contato até hoje. Espero que em breve possa ir ao Brasil, quando essa pandemia passar. Tenho lembranças incríveis da turma de amigos, dos bares, dos shows das várias bandas de rock da cidade. Época que guardo na memória com muito carinho.

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Diário – Como é ter a música como uma profissão?Clarissa – É uma alegria e uma responsabilidade. Ser artista quer dizer estar sempre se renovando, aprendendo. Quando escolhemos essa profissão, sabemos que vamos ser estudantes para o resto da vida. Ser músico é saber que temos que estar constantemente “alimentando” o cérebro, ser criativos, propor novas maneiras de viver e de participar da arte atual. A música tem essa grande função na sociedade, de ser “sem fronteiras”, de fazer brotar a emoção nas pessoas.

Em meados de 1997, Clarissa, junto com o grupo de percussão da UFSM, foi convidado para se apresentar no programa Jô Soares Onze e Meia, que na época era transmitido na emissora SBT

Diário – Desde que você se formou, onde já atuou?Clarissa – Já atuei em vários países, entre eles os Estados Unidos (Carnegie Hall, Miami Symphony Orchestra entre outros), países da Europa, onde continuou atuando como França, Espanha, Portugal, Alemanha, Suíça, Bélgica e Inglaterra e também na China.

Diário – Hoje você mora e trabalha onde?Clarissa – Moro na França, em Le Mans. Trabalho atualmente como diretora do Conservatório de Paris Sud e continuo dando aulas de percussão. Também faço parte de grupos de música de vários estilos, como clássico, jazz e música brasileira.

Diário – Há mais oportunidade na área fora do Brasil?Clarissa – Em 1998, quando fui embora, havia mais oportunidades fora. Na época, não haviam quase cursos de mestrado ou doutorado na área de percussão no Brasil. Hoje, com a globalização, a facilidade de viajar, de trocar conhecimentos e sobretudo a possibilidade de comunicar-se pela internet, as oportunidades estão em todos os lugares. O importante é trabalhar muito, ter disciplina, inventar. Ser criativo é o primeiro requisito para sobreviver no mundo da arte.

Durante sua carreira, a musicista já passou por vários países do mundo, como em Paris

Diário – Como é o apoio da sua família com sua carreira?Clarissa – Sou casada com um músico e temos um filho de 6 anos. Somos super unidos, o apoio é total. Por sermos da mesma área, compreendemos exatamente as coisas que são importantes. Acho importante estar rodeada de pessoas e ainda que na França nossa família seja pequena, sempre que podemos viajamos para ver os familiares. E também temos um grande círculo de amigos.

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